27 abril 2017

A Guerra de Coreia

Nestas semanas fala-se com cada vez mais frequência dum possível choque militar entre o Ocidente (nomeadamente os Estados Unidos) e a Coreia do Norte de Kim Jong Un.

Não seria a primeira vez, pois logo após a Segunda Guerra Mundial, a situação era a mesma: também naqueles dias falava-se do perigo representado pelas armas de Pyongyang e da defesa dos valores "democráticos" por parte dos EUA.

Após mais de 60 anos, a Coreia do Norte permanece como uma espinha na historiografia estadounidense: uma guerra que não foi ganha, um chefe (o jovem Kim Jong Un) que é o directo herdeiro do chefe nortecoreano da altura (é neto de Kim Il Sung). E, logo atrás, ainda uma China que impede que a península coreana se transforme numa nova Síria (ou Afeganistão, ou Iraque, ou Líbia...).

A ascensão de Kim Il Sung, o regime de  Syngman Rhee

A península coreana, que sempre foi objecto das miras expansionista, imperialista e colonialista, tanto do Ocidente como dos japoneses, rebelou-se contra a ocupação de Tóquio e saiu da Segunda Guerra Mundial duramente provada, social e economicamente. A dominação japonesa tinha começado em 1905 e não foi nada leve: opressão, exclusão dos direitos mais básicos de expressão, de associação, de liberdade política, exploração dos camponeses e saques dos recursos dos quais a Coreia. Fala-se aqui de ouro, prata, zinco, chumbo e outros tesouros do subsolo, canalizados para as grandes empresas japonesas.

26 abril 2017

Blockchain, Ethereum e Bitcoin

A questão da eliminação do dinheiro vivo, substituído pelo electrónico, ocupa muitas páginas da informação alternativa: este blog tratou do assunto num par de ocasiões (ver "relacionados" no fundo do artigo).

O cerne da questão parece ser o controle que poderia ser actuado sobre os cidadãos (todos os cidadãos e todas as empresas) com uma forma de pagamento facilmente rastreável.

É um risco? Sim, é. Mas, paradoxalmente (e cada vez mais no futuro), pode tornar-se um risco secundário. Afinal, já hoje não é difícil saber como gastamos o nosso dinheiro, seja ele electrónico seja "real": declarações dos rendimentos, facturas, recibos, cartões... se um governo deseja saber o total das nossas entradas e os bens nos quais a maioria destas são gastas, não é impossível ter uma ideia com uma boa aproximação.

É claro que com o dinheiro inteiramente electrónico a tarefa ficaria ainda mais facilitada: mas, como afirmado, há riscos bem maiores do que isso. O perigo principal não é um maior rastreamento do cidadão.

Enquanto o Ocidente observa preocupado o resultado das eleições francesas, os vários JP Morgan Chase, Microsoft, Intel, Google, Santander, British Petroleum, UBS, Federal Reserve, Banco Central Europeu e companhia toda ocupam os seus recursos em algo bem mais importante. É uma simples questão de prioridades: e a prioridade, nesta altura, não é saber se irá ganhar Macron ou Le Pen, pois estes são pormenores. O que conta tem outros nomes: Blockchain, Ethereum e Bitcoin.

O que são estas coisas? Ohh, nada de importante: afinal estamos a falar de algo que irá mudar a face do planeta e condicionar a vida dos nosso filhos, dos filhos dos filhos e assim por adiante. Nada de grave, portanto, e é por esta razão que os órgãos de comunicação nem perdem tempo a tratar do assunto.

25 abril 2017

Preposto

Queridas Irmãs, queridos Irmãos,

neste Sétimo aniversário de Informação Incorrecta, vozes de sofrimento se levantam entre o rebanho:
Max, tens um preposto ao seu blog?
Sugiro que se há regras que as exponha e nos informe correctamente.
Podemos Nós ficar indiferentes perante estes pedidos de socorro?
Não, não podemos, mesmo desconhecendo o sentido de "preposto".

Mas eis que as Sagradas Escrituras do Blog nós socorrem:

23 abril 2017

Ainda o medo: até quando?

Após a publicação do artigo acerca do pequeno programa para limitar a recolha de dados a partir dos nossos computadores, surgiu um interessante comentário de Vapera.

Interessante também porque em linha com quanto tenho lido por parte de outros Leitores nos últimos tempos (a propósito: lamento ainda não ter resolvido o problema que me impede de poder comentar, isso está a tornar-se uma piada, mas enfim...).

Em primeiro lugar: espero que Vapera, não encare isso como um ataque pessoal, aqui estamos só para discutir e pego no seu comentário apenas por ter sido o último em ordem temporal, ok? Aliás,a proveito para agradecer a participação dele na actividade do blog.
Obrigado.

E agora?
Agora vamos a isso.

22 abril 2017

Bloquear a recolha de dados em Windows 10

Pequeno instrumento portátil, útil caso a ideia seja limitar os dados extraídos do nosso computador pela Microsoft, é ShutUp.

Que, entre as outras coisas, pode permitir recuperar um pouco de banda, pelo menos aquela parte utilizada para a transmissão dos nossos dados via internet.

Como é sabido, Microsoft recolhe informações e dados sobre o uso dos computadores, afirmando que isso melhora a experiência do usuário e que todas as informações são utilizadas exclusivamente para as pesquisas de marketing. Dado que eu estou a borrifar-me pelo marketing de Microsoft e se quero melhorar a minha experiência como usuário utilizo Linux, eis que surge um programito que permite bloquear a recolha de dados de forma automatizada.

21 abril 2017

Atentado em Paris: a "ajudinha"

Ontem atentado em França. O costume.
Um polícia morto, dois feridos.

E adivinhem? As autoridades conheciam bem o atentador (entretanto abatido).

20 - 15 = 5

O nome é Karim, 39 anos, obviamente muçulmano.
Em 2003 tinha sido condenado a 20 anos de cadeia por ter disparado contra dois polícias em Roissy-en-Brie. Depois a pena foi reduzida para 5 anos.

De 20 para 5? Tomem nota: se a ideia for quebrar a lei, considerem uma deslocação para França. Doutro lado, por qual razão não reduzir a pena ao simpático Karim, considerado que as autoridades sabiam ele ser um radical islâmico?

20 abril 2017

Neoliberalismo, a ideologia na base de todos os nossos problemas

Comprido mas interessante artigo do histórico activista George Monbiot acerca do Neoliberalismo.
Ainda mais interessante se considerarmos que acaba de ser publicado nas páginas dum dos diários mais lido no mundo, o britânico The Guardian.

Vale a pena traduzir, não é? Não?
Pena, traduzi na mesma. 

Imaginem se o povo da União Soviética nunca tivesse ouvido falar de Comunismo. A ideologia que domina as nossas vidas, para a maioria de nós não tem um nome. Citem-a nas vossas conversas e terão em resposta um encolher de ombros. Mesmo que os ouvintes já tenham ouvido esse termo, têm problemas em defini-lo. Neoliberalismo: sabe o que é isso?

19 abril 2017

Portugal: o sarampo

Neste dias, em Portugal, está ao rubro a polémica acerca das vacinas. Há um surto de sarampo e pais
indignados gritam a partir dos microfones das rádios porque outros pais recusam vacinar os seus filhos: há quem espere que a vacinação se torne obrigatória.

A maior parte das pessoas indignadas nem sabe distinguir uma aspirina dum antibiótico, mas mesmo assim repetem o que ouviram dizer: as vacinas são boas, as vacinas fazem só bem, quem contraria as vacinas é um ignorante.

Eu sou ignorante, admito não ser capaz de entender se uma vacina for boa ou má. E nem entendo entrar na estéril polémica entre quem defende todas as vacinas e quem acha serem estas instrumentos da Nova Ordem Mundial. Simplesmente, pergunto algumas coisas.

Por exemplo: é normal que nas vacinas haja estes excipientes?

16 abril 2017

Síria: o falso vídeo dos Capacetes Brancos

Após o ataque químico na Síria, foram difundidas imagens de socorristas que actuavam para salvar as
vidas de algumas crianças. Os socorristas . neste caso, eram os Capacetes Brancos, uma ONG que opera nas zonas ocupadas pelos rebeldes, contrários ao regime de Assad.

O site Veterans Today afirma que a organização Swedish Doctors for Humans Rights (SWEDHR) analisou as imagens, chegando às seguintes conclusões:
  • o vídeo mostra as medidas salva-vidas que são tomadas depois de um ataque químico com gás cloro, incluindo uma injecção de adrenalina com seringa e uma longa agulha que entra no coração da criança. De nenhuma forma são fornecidos à criança tratamentos adequados contra os danos provocados por um agente químico.
  • a gestão e o tratamento da criança foram efectuados de modo imprudente, perigoso e de forma a provocar graves danos.
  • eloquentes são as falsas e repetidas injecções de adrenalina no coração. A equipe médica nunca conseguiu empurrar o líquido da seringa no corpo. Na verdade, o conteúdo da seringa não foi injectado de todo.
  • o diagnóstico feito por médicos especialistas, com base no que é observado no vídeo, afirma que a criança se encontrava sob a influência duma injecção de opiáceos e, provavelmente, iria morrer de overdose. Não há evidência de qualquer outro agente, químico ou diferente.
  • nenhuma das crianças nos vídeos mostra sinais de ter sido vítima dum ataque químico.
Veterans Today afirma que foi a falsa injecção que matou a criança. Portanto, um homicídio intencional, encenado para fazê-lo parecer um tratamento médico após o ataque químico alegadamente sírio.

Veterans Today também afirma que a tradução das frases árabes ouvidas durante as imagens são falsas: os originais seriam instrucções dadas para que a criança pudesse ser gravada de forma melhor e não directivas médicas.

SWEDHR, uma ONG formada com a participação de professores, doutorados, médicos e investigadores universitários nas ciências médicas e nas disciplinas relacionadas com a saúde, emitiu um comunicado para retificar parcialmente quanto afirmado por Veterans Today:
Os médicos suecos para os direitos humanos nunca acusaram os Capacetes Brancos de "assassinar crianças". Nem temos acusado de tal atrocidade o pessoal mostrado no vídeo publicado pelos Capacetes Brancos. Tomámos especial cuidado em formular as nossas conclusões no sentido de excluir qualquer acusação de homicídio intencional. Esta é, em vez disso, a conclusão alcançada pelo autor do artigo da SWEDHR, Prof. Marcello Ferrada de Noli, depois que dos médicos da SWEDHR terem examinados os vídeos publicados pelos Capacetes Brancos no YouTube:
Os procedimentos salva-vidas sobre as crianças mostrados nos vídeos dos Capacetes Brancos são falsos, realizados em crianças mortas. A seringa utilizada na "injeção intracardial" realizada no bebé de sexo masculino estava vazia, ou o seu fluido nunca foi injectado na criança. Esta mesma criança mostrou, brevemente, discretos sinais de vida (incertos) no primeiro segmento de WH Vid-1 [White Helmets Video, ndt]. Se assim for, esta criança pode ter morrido durante o lapso em que as manobras "salva-vidas" mostradas no filme dos Capacetes Brancos foram realizadas (o que não é o mesmo que afirmar que o pessoal observado nos vídeos provocou a morte do bebé. Em termos forenses, a causa real da morte, bem como a modalidade e a intencionalidade, pertencem a assuntos diferentes daqueles tratados na nossa análise).
Conclusões apoiadas por uma conferência de imprensa realizada no Ministério dos Negócios Estrangeiros de Moscovo, publicada pela emissora RT.

Vamos observar o vídeo dos Capacetes Brancos.

ATENÇÃO
O seguinte vídeo contém imagens que podem facilmente impressionar o público sensível.
É aconselhada cautela.

14 abril 2017

A mãe de todas as estupidezes

Confesso que ao ler a notícia dos EUA terem lançado a "mãe de todas as bombas não nucleares"
sorri. É algo tipicamente norte-americano, é tipicamente trumpiano. Algo tanto espectacular quanto inútil, que denota uma total falta de entendimento da realidade. Muita Hollywood e pouco cérebro.

O lançamento da Gbu-43 tem dois aspectos fundamentais.

Em primeiro lugar lembra de que a guerra no Afeganistão nunca acabou, apesar dos proclamas. É a mais antiga guerra em acto, uma guerra que os EUA não conseguem ganhar. Antes os talibans e Al-Qaeda, agora o Isis: seja como for, Washington é desde 2001 que gasta dinheiro para controlar um território que não quer ser controlado. A União Soviética demorou 10 anos para entender que aquele País, feito duma miríade de vales escondidas, cavadas nas áridas montanhas, era algo sério. Aos Estados Unidos ainda não foram suficientes 16 anos para conseguir abandonar a ilusão de poder ganhar.

O segundo aspecto em realce é que o anuncio do lançamento foi feito pelos mesmos americanos, quase fosse um spot publicitário do Pentágono. é a confirmação de que em Washington a facção militar está a ganhar poder, cada vez mais. É um regresso à velha maneira de conduzir a política exterior, com mais botas no chão e menos trocas diplomáticas.

A Gbu-42 representa 9.5 metros de valor estratégico nulo, cujo fim é só enviar um sinal de potência para o exterior. São 8.5 toneladas de explosivo que não podem resolver conflito nenhum, servem apenas para mostrar as ideias do novo Presidente. E não parecem grandes ideias se acha que os problemas com o mundo árabe podem ser resolvidos com as mega-bombas...

No seguinte vídeo, o momento do impacto:


Pormenor que não deixa de ser irónico: a bomba serviu para destruir uma rede de tunneis construídos pelos EUA durante a ocupação soviética.


Ipse dixit.

12 abril 2017

David Rockefeller: antes tarde...

No mês passado abandonou-nos David Rockefeller.

Este grande homem, que tanto fez para si mesmo, morreu prematuramente com 101 anos de idade e lembrar agora de todos os sucessos por ele alcançados é tarefa inglória, pois de certeza que muitos ficariam fora duma eventual lista.

Mas vamos relembrar apenas alguns deles, como devido tributo a uma pessoa que pertencia a um restrito círculo de seres humanos: os que nunca deveriam ter nascidos.

O simpático David viu a luz em New York, no humilde prédio de oito andares propriedade do pai, John Davison Rockefeller Jr., por sua vez filho do fundador da Standard Oil, John Davison Rockefeller Sr.

Em 1936 conseguiu licenciar-se cum laude na Universidade de Harvard, depois frequentou a London School of Economics (onde conheceu John Fitzgerald Kennedy) e trabalhou uns tempos na local filial do banco Chase Manhattan. Mas era claro que o simpático David tinha outros objectivos na vida.

Em 1939, junto com os seus quatro irmãos (Nelson, John D. III, Laurance e Winthrop), financia um grupo ultra secreto de Estudos de Guerra & Paz junto ao Conselho de Relações Exteriores de New York, que era o mais influente think tank dos Estados Unidos, também já controlado pelos irmãos Rockefeller.

A ideia era simples: reunir especialistas de vários sectores para programar o fim da Segunda Guerra Mundial. Que nem tinha eclodido ainda. Mas o projecto era importante e merecia uns esforços: afinal na calha estava nada menos de que o Século Norteamericano.

Foram dispostas as peças: os irmãos Rockefeller doaram a terra, em Manhattan, onde foi erguido o Quartel General da ONU (no processo lucraram bilhões por causa da valorização dos terrenos adjacentes, também de propriedade dos irmãos, mas este foi sem dúvida um inesperado efeito colateral). A facção Rockefeller criou a Guerra Fria contra a União Soviética, porque é sempre preciso um bom inimigo. Criou também a Nato, para que os Países da Europa Ocidental ficassem complacentes vassalos.

O petróleo

No meio disso, obviamente não podia ser ignorado o petróleo, que tanta felicidade já tinha proporcionado à família.

Henry Kissinger, conselheiro político de David Rockefeller desde 1954, esteve envolvido em todos os maiores projectos dos irmãos: foi ele que manipulou secretamente a diplomacia no Médio Oriente para justificar o embargo sobre o petróleo árabe em 1973.

Não deve admirar: a crise do petróleo, entre 1973 e 1974, foi orquestrada por uma organização secreta criada por David Rockefeller nos anos '50, conhecida como Grupo Bilderberg. Em Maio de 1973, o simpático David e os presidentes das maiores companhias petrolíferas dos Estados Unidos e do reino Unido encontraram-se em Saltsjoebaden, na Suécia, no meeting anual do Grupo Bilderberg para planear a crise do petróleo. A culpa foi atirada por cima dos “gananciosos xeques petroleiros”. Dessa forma, o Dólar dos Estados Unidos, em queda abrupta, foi salvo e os bancos de Wall Street, entre os quais o Chase Manhattan de David Rockefeller, se tornaram os maiores do mundo.

Nos anos '70, Kissinger assim resumiu a estratégia de David Rockefeller:
Se você controla o petróleo, controla nações inteiras; se você controla a comida, controla o povo; e se você controla o dinheiro, controla o mundo inteiro.
Ah, pois: onde está o dinheiro?

O dinheiro

Do site Information Clearing House:
David Rockefeller foi presidente do Chase Manhattan Bank, o banco de família. Também foi o responsável por nomear vice-presidente do Chase Paul Volcker, o presidente da Federal Reserve sob o governo Carter que implementou a terapia de choque da "taxa de juros Volcker" que, mais uma vez, salvou o Dólar em queda e os lucros de Wall Street, incluindo, claro, o Chase, às custas da economia mundial.

A “terapia de choque” das taxas de juros de Volcker, em Outubro de 1979, apoiada por Rockefeller, criou a terceira crise mundial da dívida nos anos '80. Rockefeller e Wall Street usaram a crise dos débitos para forçar as privatizações estatais e a drástica desvalorização das moedas em Países como a Argentina, Brasil e México. Assim, Rockefeller e os seus amigos como George Soros, se apoderaram das joias da coroa desses Países a preço de saldo.

O modelo foi muito parecido com o usado pelos bancos ingleses contra o Império Otomano depois de 1881, quando eles tomaram de facto o controle das finanças do Sultão, através do controle de todas as receitas fiscais através da Dívida da Administração Pública dos otomanos. Rockefeller usou a crise da dívida de 1980 em proveito próprio para saquear os Países endividados da América Latina e da África, usando o FMI como a sua polícia financeira. Ele era amigo pessoal de alguns dos mais selvagens e sanguinários ditadores na América Latina, entre eles o General Jorge Videla na Argentina ou Pinochet no Chile, os quais conseguiram os seus empregos através de golpes arranjados pela CIA, ordenados pelo então Secretário de Estado Henry Kissinger, que estava por trás dos interesses da família Rockefeller na América Latina.

Através de organizações como a sua Comissão Trilateral, Rockefeller foi o principal arquitecto da destruição de várias economias nacionais e fez avançar a assim chamada Globalização, uma política que beneficia principalmente os grandes bancos de Wall Street, a City de Londres e um grupo selecto de corporação globais – os mesmos que são membros convidados da Comissão Trilateral. A Comissão Trilateral foi criada por Rockefeller em 1974. A seguir deu ao seu grande amigo Zbigniew Brzezinski o trabalho de escolher os membros nos Estados Unidos, Japão e Europa.

É verdade, dito assim o simpático David pode parecer até um pouco malandreco. Mas não podemos esquecer a outra face da moeda: David Rockefeller era um filantropo.

A filantropia 

David Rockefeller amava os homens. Talvez não todos, mas a maioria sim, Ou pelo menos alguns.

É por isso que em 1939 os Rockefeller já financiavam a pesquisa biológica no Instituto Kaiser Wilhelm em Berlim. Era a eugenia nazista, a tentativa de criar uma raça superior e a eliminação, com a esterilização, daqueles que são considerados “inferiores”. A eugenia nazista era financiada pelos Rockefeller, tal como pela Standard Oil, de propriedade da família, que violava alegremente as leis dos Estados Unidos e fornecia combustível aos aviões da Força Aérea Nazista durante a guerra.

Depois da Guerra, os irmãos Rockefeller trouxeram para o Ocidente alguns daqueles cientistas nazis, para que os estudos fossem continuados. Perguntem à Cia, perguntem donde saiu o Projecto MKUltra: foi a filantropia dos Rockefeller..

Nos anos '50, os Rockefeller fundaram o Conselho Populacional para a eugenia avançada, disfarçada de pesquisa populacional e controle da natalidade. Nos anos '70, eram responsáveis por um projecto secreto do governo dos EUA, dirigido por Kissinger, Assessor do Conselho Nacional de Segurança dos Rockefeller, intitulado NSSM-200: “Consequências do Crescimento da População Mundial para a Segurança dos Estados Unidos e os seus Interesses Além Mar”.

O projecto questionava o crescimento populacional em Países em desenvolvimento com matérias primas estratégica como petróleo ou minerais: o aumento da população era uma “ameaça para a segurança nacional” dos Estados Unidos, porque poderia fazer crescer a procura por essas matérias primas nos Países de origem. Ou seja: os Países nos quais ficavam os recursos poderiam ter tido o desejo de utilizar aqueles mesmos recursos. Francamente ridículo. O NSSM-200 fez dos programas de redução populacional uma condição essencial para receber a ajuda dos Estados Unidos.

Nos anos '70, a Fundação Rockefeller também financiou em conjunto com a Organização Mundial de Saúde o desenvolvimento duma vacina especial contra o tétano que limitava o crescimento populacional ao tornar as mulheres incapazes de manter uma gestação.

Fundação Rockefeller significa Monsanto, uma parceria no âmbito da manipulação genética. Objectivo: modificar o ADN das plantes e utilizar o controle genético para poder gerir a cadeia alimentar de seres humanos e animais. Hoje, mais de 90% de todas as sementes de soja que crescem nos Estados Unidos são OGM, juntamente com mais de 80% de todo o milho e o algodão.

Vamos concluir com aquela que sem dúvida  é melhor foram para lembrar o simpático David: com as palavras dele.

A primeira é uma piada:
Eu acredito que o governo é o servo do povo e não o seu dono.
A segunda é uma confissão:
Alguns até acreditam que nós (família Rockefeller) fazemos parte de uma cabala secreta que trabalha contra os melhores interesses dos Estados Unidos, caracterizando a minha família e eu como "internacionalistas", e que conspira com outras pessoas ao redor do mundo para construir uma estrutura global política e económica mais integrada. Um só mundo, se você quiser. Se essa é a acusação, eu declaro-me culpado, e estou orgulhoso disso
Titula a revista portuguesa Sábado:
David Rockefeller, um homem de bem com todos (1915-2017)
Não. Para boa sorte nem todos somos assim.


Ipse dixit.

(Agradecimento especial para a Sempre Muy Nobre Maria por ter sugerido o artigo!)

Fontes: Information Clearing House, Sabado

11 abril 2017

Da Liberdade

- Para que vieste até aqui? Tens algo para dizer? Algo que não sabemos? Duvido. Sabes, estes apelos para a liberdade deixam-me enjoado. Para que vieste aqui outra vez? Antes de ti muitos outros tinham passado. E mesmo que alguém te siga, fazemos de conta algumas centenas de pessoas...  o que achas vai acontecer ao biliões que nunca por nunca irão abandonar as cómodas vidas deles? Para quê? Em troca dos teus valores abstractos? Sabes, também eles querem ser felizes ou para ti a massa já não é feita de seres humanos?

- A liberdade é o direito de escolher.

-O quê? Que idiotice é esta? Mas consegues entender em qual altura vives tu? A liberdade hoje é poder clicar entre mil canais, descarregar porno gratuitamente ou, mais simplesmente, fazer tudo aquilo por causa do qual nada te irá acontecer. E a massa aceita isso. Tu nem entendes quanto tivemos que pagar para promover esta ideia. Mas resultou: já estão convencidos de que o homem não está livre pelo simples facto de ter nascido... nada disso: acham mesmo que tem que ganhar a sua liberdade.

10 abril 2017

Trump mobiliza 150 mil reservistas

Um sinal alarmante: o Exército dos EUA está a enviar, neste momento, cartas para 150 mil
reservistas com o aviso de mobilização.

O anúncio oficial do Ministério da Defesa será dado em breve, mas alguns reservistas já receberam a carta e as notícias começam a circular. De acordo com esses rumores, o objectivo do Pentágono seria ter à disposição a força completa dentro de um par de semanas.

Cento e cinquenta mil reservistas: para fazer o quê?
Ninguém quer atacar os EUA, portanto são soldados para serem utilizados fora do País.

Um ataque em grande estilo na Síria? Bater Damasco e a seguir Teherão? Ou a Coreia do Norte? Improvável? Nem tanto: mesmo ontem chegou a notícia segundo a qual a China colocou 150.000 tropas para proteger-se contra uma eventual situação inesperada durante os treinos militares em conjunto com a e Coreia do Norte.

Seja como for, temos de assumir que a estratégia de Donald Trump mudou. Se durante a campanha eleitoral a ideia era concentrar-se no interior dos EUA, deixando que os outros Países resolvessem os problemas com os meios deles, antes o ataque com os mísseis Tomahawk e agora a mobilização dos reservistas indicam que as coisas mudaram: esta é a estratégia neoconservadora.

Não é por acaso que Assad, o governo iraniano e o Kremlin nestes dias declararam que "o ataque dos EUA contra a base síria superou muitas linhas vermelhas" e que de agora em diante "responderão com força a qualquer agressão ".


Ipse dixit.

Fontes: Il Giornale, Donga.com

07 abril 2017

Suécia: onde é que já vimos isso?

Atendado em Estocolmo.
Pessoal, o que pode ser dito? Vamos fazer um copia/cola, pescando num dos atentados anteriores? Berlim? Nice? O esquema é sempre o mesmo: camião roubado atirado contra as pessoas. O Presidente da câmara já fala de atentado.

Nas próximas horas?
O homem é de origem medio-oriental, entre 25-40 anos, vive na Suécia há alguns meses; é conhecido pelas autoridades por pequenos crimes ou por ter ideias radicais ligadas à religião. Os pais dele não acreditam, os vizinhos dizem que era um rapaz simpático, sempre disponível.

Choque no mundo, solidariedade em Paris (onde pintam o Arco de Triunfo com os colores da Suécia, em Berlim (Porta de Brandeburgo), em Lisboa (onde pintam a estátua do Marquês de Pombal com as cores do Benfica).

Em Bruxelas a classe política exprime indignação, mas temos que ir em frente, não podemos baixar a cabeça, se mudarmos seria uma vitória dos terroristas.

As fotografias das vítimas: uma jovem estudante da universidade, um rapaz que estava prestes a casar-se, outros imigrante. Para boa sorte não há crianças, aquelas morrem só na Síria.

O terrorista afinal é encontrado mas morre numa troca de tiros com a polícia. Pena, teria sido muito interessante falar com ele.

Tudo igual, até da próxima vez.
Obviamente espero estar enganado, mas assim vão as coisas nos últimos tempos.


Ipse dixit.

Os EUA atacam a Síria: razões e reacções

Dia cheio este: os EUA atacam a Síria, os "radicais islâmicos" (aspas necessárias) atacam a Suécia.

O ataque

Partimos com Washington: nem Trump resistiu ao encanto duma boa prova de força, à velha maneira americana.

Às 20:30 hora dos EUA, 59 mísseis Tomahawk foram lançados contra a base síria donde alegadamente partiu o ataque químico de poucos dias atrás. "Alegadamente" pela simples razão que ainda estamos à espera que alguém apresente as provas de que foram as forças de Assad a lançar o ataque.

Mas estes são pormenores: nem tinha caído a última bomba com a sua carga de gás (se bomba foi) e já os meios de comunicação acusavam a Síria. Todos, sem excepções. Portanto: Assad tinha sido o responsável, duvidar não é uma opção. O bombardeio de hoje é a natural conclusão da campanha mediática montada.

Os mísseis atingiram a base de Al Shayrat, provocando mortos: três militares e dois civis segundo as autoridades sírias. A agência Sana fala de seis militares e nove civis mortos, entre os quais quatro crianças. O que é um pouco estranho: é uma base militar ou um infantário? Verdade que os mísseis bem podem ter atingidos habitações nos arredores, mesmo assim há sempre demasiadas crianças nos ataques na Síria. A propaganda funciona em todos os lados.

Na outra face do planeta, Trump estava a jantar com o Presidente chinês, Xi Jinping, perto das praias da Florida: pouco depois apareceu diante das câmaras para uma breve declaração:
Caros concidadãos, na Terça-feira o ditador sírio, Bashar al-Assad, lançou um ataque químico horrível contra civis inocentes; usando gás letal, Assad esmagou sem esperança as vidas de homens, mulheres, crianças. Foi uma morte lenta e brutal para muitos deles. Mesmo as maravilhosas crianças foram cruelmente assassinadas neste bárbaro ataque. Nenhum filho de Deus deve sofrer um tal horror.
Verdade: os filhos de Deus não gostam de morrer por causa do gás letal. Já com os mísseis Tomahawk, pelo contrário, fazem a fila.
Assim continuou a besta (ao quadrado):
Ontem à noite pedi uma ação militar focada no aeroporto na Síria donde começou o ataque químico. É de interesse vital para a segurança nacional dos EUA impedir e desencorajar a proliferação de armas químicas letais. Não há dúvida de que a Síria tem estas armas terríveis, violando os seus compromissos no âmbito da Convenção sobre Armas Químicas e ignorando o Conselho de Segurança da ONU. Há anos que tentam convencer Assad a mudar de atitude. É foi um fracasso e uma falha muito dramática. O resultado é que a crise dos refugiados continua a agravar-se e continua a desestabilizar a região e ameaça os Estados Unidos e os seus aliados. Hoje à noite chamo apelo a todas as nações civilizadas para pôr fim aos massacres e ao derramamento de sangue na Síria e pôr fim ao terrorismo de todos os tipos.
Não há muito para dizer. Melhor, haveria, mas seriam as objecções do costume: não há provas de que foi Assad a lançar o ataque químico; há dúvidas de que a Síria tenha armas terríveis (e não há dúvida de que os EUA as têm); a crise dos refugiados existe mas é também co-criada, bem explorada e encorajada por facções ocidentais (entre as quais os serviços secretos dos EUA); quem desestabiliza o Médio Oriente não é e nunca foi a Síria, etc.

Em frente.
A base síria de Al Shayrat

Vingança

Muito interessante a reacção de Alemanha e França. Estes apresentaram um comunicado em conjunto no qual afirmam que é de Assad a inteira responsabilidade do ataque de hoje. Deveras interessante porque o conceito expresso é o seguinte: tu fazes algo mau, então eu tenho o direito de fazer-te algo mau também e a culpa é só tua, não minha.

Fosse o ataque de hoje uma acção justificada com algo como "Bombardeamos uma base militar porque sabemos que aí estava a preparar-se um ataque mortal", então isso poderia ser enquadrado como uma manobra preventiva. E teria uma mínimo de fundamento ("mínimo" apenas porque antes deveria sempre serem exploradas ao máximo as outras alternativas, in primis aquela diplomática).

Nem é possível falar duma acção que pese no equilíbrio do conflito: este guerra não vai ser ganha com os gases. Portanto não estamos perante uma táctica militar que tem como objectivo a vitória final.

Aqui de prevenção ou de táctica não há vestígios: há apenas uma retaliação. Isso significa que os Estados Unidos perpetram a "vingança" com os aplausos do Ocidente todo. Assinalável. Imaginem este conceito translado para a nossa sociedade; imaginem os tribunais que a partir de agora justifiquem a vingança como acto legítimo.

O gás

E voltemos ao facto do regime de Assad ter lançado o ataque químico. Esta não passa duma hipótese,
possível quantos as outras.

Provas? Não há. Nenhuma. E seriam bem precisas para saber quem o responsável daquele horrendo massacre.

Actualmente, de certo há só as 72 vítimas confirmadas mais cerca de 300 outras pessoas infectadas.

Para entender qual a verdade seria necessária uma investigação independente no terreno: médica e técnico-militar. Em primeiro lugar, para determinar qual foi o gás (Sarin, quase certamente) e daí de volta para a fonte, dados que os componentes utilizados nestas armas constituem já por si uma espécie de impressão digital.

Em segundo lugar, seria preciso determinar se o gás chegou em Khan Sheikun com uma bomba lançada de um avião ou com uma ogiva disparada por artilharia; ou ainda se a explosão ocorreu directamente no terreno (a tese de Damasco e de Moscovo).

Que seja gás, não há dúvida. Como não há dúvida acerca do o horror do massacre. Mas o facto é que, apesar da "limpeza" realizada pela ONU em 2013, na Síria (como no Iraque) ainda há armas de todos os tipos, incluindo as fabricadas com produtos químicos. E ninguém pode excluir que estas, mesmo em pequenas quantidades, tenham acabado nas mãos dos rebeldes.

Última consideração: uma arma com produtos químicos contém sempre uma quantidade de gás de modo a produzir efeitos muito mais devastadores daqueles registados. Exemplos clássicos:
  • Síria, 21 de Agosto de 2013, em Ghouta: entre 300 e 1.500 vítimas, cerca de 3.000 pessoas intoxicadas.
  • Halabja, 16 de Março de 1988: pelo menos 5.000 mortos e milhares de feridos.
No primeiro caso, o gás utilizado foi o Sarin, no segundo gás mostarda. O que significa que todas as hipótese estão em abeto. Isso é para dizer que o número relativamente pequeno de vítimas em Khan Sheikun ainda deixa em aberto todas as possibilidades.

Para já: Al Qaeda, o Isis e a Arábia Saudita agradecem quem lançou o ataque com gás e quem começou a bombardear como forma de vingança.


Ipse dixit.

Fontes: vários diários ocidentais de hoje disponíveis na interent.

05 abril 2017

Síria: o ataque químico

Fica cada vez mais grave o resultado do ataque com gás na província síria de Idlib: o número de mortos já ultrapassou 72, incluindo 20 crianças e 17 mulheres.

De quem a responsabilidade? A seguir falaremos disso; agora vamos espreitar as reacções.

As reacções habituais

Óbvia a condenação de todos: EUA e europeus em primeiro lugar, todos contra o regime de Assad, que por sua vez nega qualquer responsabilidade. Convocada para hoje uma reunião urgente e inútil do Conselho de Segurança da ONU: objectivo é que as autoridades sírias cooperem com os especialistas internacionais, em particular para fornecer os planos de voo e todas as informações sobre as operações militares no momento do ataque.

Ninguém pede à ONU que faça algo para que os EUA forneçam os planos de voo e informação sobre as operações quando as armas forem Made in USA, e a ONU fica caladinha que nem um rato. Mas estes são pormenores.

Para o ministro britânico das Relações Exteriores, Boris Johnson, o massacre com armas químicas em Idlib exige uma investigação séria de responsabilidade por crimes de guerra, mas confirma que, em qualquer caso, aquele de Damasco é "um regime bárbaro e não podemos imaginar que continue a liderar o País". Não é claro o que tenha a ver uma coisa com a outra, mas o simpático Johnson é assim.

Voltando às inutilidades: sempre hoje termina em Bruxelas uma conferência internacional sobre a Síria. Os participantes (70 representantes de governos e organizações internacionais) comprometeram-se a pôr em prática a ajuda humanitária para aliviar o sofrimento do povo sírio, destroçado após seis anos de guerra. De acordo com as Nações Unidas, são precisos 8 bilhões para preparar o terreno à reconstrução. A conferência tem vários objectivos, mas nenhum deles é obrigar:
  • as Monarquias do Golfo a interromper o financiamento do Isis
  • todos os restantes Países a respeitar a soberania da Síria, incluindo o governo eleito pelos cidadãos.
Faltando isso, o que sobra é falar de esmolas para o povo sírio e nada mais.

E os culpados?

Mas afinal, quem lançou o ataque químico?
Ainda não se sabe. Mas é possível reflectir acerca do assunto.

Os gases podem ser espalhados por vários meios: aviões, granadas especiais ou, mais simplesmente, colocando sotavento os pulverizadores (técnica antiga esta, já da Primeira Guerra Mundial, mas sempre eficaz). Na coligação anti-Isis todos têm aviões: os sírios, é claro, mas também os russos, os turcos, os sauditas, os qataris e, obviamente, os ocidentais. Os rebeldes não, nada de aviões, nem para os "bons" nem para os "maus".

Mas para onde foram as armas terrestres de gaseificação desaparecidas em massa em 2011 do arsenais de Kadafi? Com alta probabilidade acabaram nas mãos dos rebeldes jihadistas que não pertencem ao Isis: sabemos com certeza que os grupos originados de Al Qaeda (Al Nusra antes, Jahbat Fatah al-Sham depois) têm, no mínimo, gás mostarda e sarin.

Então é possível voltar atrás e perguntar: cui prodest? Quem ganha com o ataque químico de ontem?
Assad e Putin visam destruir (com a participação esporádica dos EUA) todos os grupos jihadistas, agora concentrados na província de Idlib. Se o Isis perder essa área, praticamente o Estado Islâmico está acabado. As tropas russas e sírias continuam a avançar e têm a vitória no bolso: um ataque químico nesta altura, com todos os holofotes apontados para a pequena província síria, não é apenas um inútil massacre, é pura estupidez porque é óbvia a reacção internacional.

Os órgãos de comunicação social já atiraram a culpa por cima de Damasco, mesmo sem nenhuma prova: não é disso que Síria e Rússia precisam. Dito isso: Assad santo com certeza não é, pelo que tudo é possível, mas seria muito estranho se Moscovo autorizasse um ataque deste género.

Viceversa: e se alguém quisesse delegitimar a ofensiva russa-síria aos olhos do mundo, com qualquer meio? Quem pode ter interesse em fazer uma coisa destas?


Ipse dixit.

Fontes: BBC News, Global Research, Il Corriere della Sera

04 abril 2017

Afeganistão: a "conclusão responsável"

A cerimónia de hoje em Kabul representa um marco para o nosso País. Por mais de 13 anos, desde que quase 3.000 vidas inocentes foram tiradas em 11 de Setembro, a nossa nação esteve em guerra no Afeganistão. Agora, graças aos sacrifícios extraordinários dos nossos homens e mulheres em uniforme, a nossa missão de combate no Afeganistão está a acabar e a guerra mais longa na história americana está a chegar a uma conclusão responsável.


O Afeganistão em 2017
Fonte: Limes, Janeiro de 2017




Ipse dixit.

A lenta morte da Venezuela

A Venezuela vive uma condição de gravíssima crise. A oposição fala de "golpe" ou de golpe "auto-infligido" por parte do Presidente Nicolas Maduro. Os apoiantes do Presidente recusam esta interpretação e respondem que foi um acto honesto em prol do País.

Em causa estão os vereditos do Tribunal Supremo de Justicia (TSJ) que, de facto, desautorizou a Assembleia Nacional da Venezuela.

Então, qual a versão verdadeira?
Simples: ambas são verdadeiras.

Golpe e não golpe

Com os recentes vereditos nº 155 e 156, o Tribunal Supremo de Justicia (TSJ) venezuelano decidiu que a Assembleia Nacional estava "em situação de desprezo", por causa da eleição de alguns dos seus membros (os representantes do Estado da Amazonas). Portanto, retirou à Assembleia os poderes legislativos, o que significa que o Tribunal pode agora criar leis.

03 abril 2017

Atentado na Rússia: causa e efeito

Hoje atentado contra a Rússia.Novidades? Poucas, além dos 10 mortos e quase 50 feridos.

Este ataque ocorre no meio dum processo que tenta fazer eclodir uma revolução colorida: em Moscovo houve recentemente cidadãos pacíficos saírem às ruas contra a corrupção, o novo mártir Alexey Navalny foi preso e a imprensa internacional logo evocou a imagem duma ditadura. Há uma clara relação de causa e efeito.

Terrorismo interno? Da Tchetchénia, por exemplo, ou dos manifestantes "coloridos"? Um terrorismo dos cidadãos parece hipótese bem remota, que podemos excluir desde já. Sobram os independentistas e, como é óbvio, a pista islâmica. Em qualquer caso, quem fez explodir a bomba no metro de S. Petersburgo sabiam perfeitamente que contexto provocar as explosões.

Os problemas das águas: Turquia, Síria, Iraque...


Água como arma? A Sempre Muy Nobre Maria sinaliza um artigo deveras interessante, focado no que acontece quando um bem essencial for gerido com intuitos criminosos. É a revista Foreign Affairs que dedica um artigo ao assunto: Rivers of Babylon descreve os acontecimentos ao longo dos rios Tigre e Eufrates durante os últimos anos.

As barragens turcas

A Turquia construiu muitas barragens em todo o País ao longo das décadas, para produzir eletricidade, mas também para irrigação; muita da água retida era depois perdida por causa da evaporação e devido a novas plantações de espécies que exigem muita irrigação. O resultado foi que os agricultores da Síria, localizados na secção inferior dos rios, começaram a ter sérios problemas, em particular durante os três anos de seca: entre 2006 e 2009, muitos agricultores deixaram as terras secas e mudaram-se para as cidades.

02 abril 2017

Mudanças!!!

Pessoal! Grande notícia!

Qual? Esta: após sete anos, consegui embutir o blog com tanta porcaria que se tornou quase impossível implementar modificações. Exemplo: nem pensar instalar Disqus, uma coisinha bem jeitosa para os comentários.

O template (a matriz, tanto para ser simples) do blog está tão estragado que Blogger recusa fazer o restauro duma cópia de segurança antes feita por mim. O que é muito triste: é a máquina que se rebela ao dono (eu).

Pelo que, após consultação com Leonardo (a mente do blog), decidimos mudar tudo. Tudo!!!
Bom, tudo mesmo não. Vai tratar-se duma renovação estilística em ocasião da qual será eliminado todo o lixo acumulado nestes anos todos.

Obviamente comentários e imagens serão conservados. Pelo menos espero, porque se perco isso fico danado. E Leo também.

Portanto, não próximos dias o blog pode sofrer alterações drásticas, repentinas, violentas e inesperadas. Não se preocupem! A gerência está a trabalhar para vocês.

Obrigado pela paciência. Que Deus ilumine as Vossas estradas especialmente à noite para não serem atropelados por uma ambulância em serviço de emergência.


Ipse muda tudo!

31 março 2017

EUA & Reino Unido: espionagem recíproco

GCHQ, espionagem do Reino Unido
Muito se fala nestas últimos anos de espionagem ao mais altos níveis. Numa comunicação pública, o Government Communications Headquarters (GCHQ, a agência governamental inglesa que trata da inteligência) pronunciava-se acerca da acusação feita por uma antigo juiz dos EUA, segundo o qual o GCHQ teria espiado o Presidente Donald Trump por conta da Administração de Barak Obama, em 2016:
As acusações mediáticas do juiz Andrew Napolitano contra o GCHQ, que teria espiado o então Presidente eleito não fazem sentido. São absolutamente ridículas e devem ser ignoradas.
O que é ridícula é a resposta do GCHQ, por três razões.
  • Os serviços secretos existem para praticar também a obra de espionagem. Um serviço secreto sem espionagem poderia limitar-se a ler os diários e pouco mais. E o GCHQ trata mesmo disso: espionagem.
  • Dados históricos demonstram como a prática da espiar os aliados e os relativos cidadãos é prática comum.
  • Existem muitas leis nacionais que impedem que um serviço secreto possa espiar os seus concidadãos: recorrer aos serviços dum outro País é um truque que permite "evitar" tais leis.

30 março 2017

Aviso

Aviso: não é que o bom Max não comenta por falta de vontade. É que não consegue mesmo.

Há um problema técnico, ainda não identificado, que não permite de iniciar a sessão no Blogger antes o depois de escrever um comentário: este, portanto, não é publicado.

A gerência está a trabalhar para resolver o problema e pede desculpa pelo incómodo. 😕


Ipse problema!

Síria: em vista a batalha decisiva

Apesar da cobertura mediática, não é em Aleppo, não é em Raqqah: será no distrito de Idlib a ofensiva decisiva para a guerra.

Um confronto que, no entanto, promete polarizar ainda mais as relações entre Turquia, Estados Unidos e Rússia, com o aumento do apoio destes últimos dois para os curdos sírios das Forças de Defesa Popular (YPG) e os curdo das Forças Democráticas da Síria (SDF).

Idlib (em árabe: ادلب) é uma cidade no Noroeste da Síria, capital do homónimo distrito, 59 km ao Sul de Aleppo, com uma população total de 165.000 habitantes (dados de 2010). Principal centro agrícola da Síria, é maioritariamente muçulmana embora haja uma significativa minoria cristã.

Já agora em Idlib há pouco para rir: é aí que os grupos de Al-Qaeda, sob a égide da Hay'at Tahrir al-Sham ("Organização para a Libertação do Levante", na qual confluiu Al-Nusra), tinham-se mudado com armas e famílias durante a última ofensiva russo-síria em Aleppo.

29 março 2017

A guerra no Yemen

Os media continuam a ignorar aquela que é uma guerra sangrenta. A foto acima (e o vídeo no fundo do artigo) mostra o protesto do dia 26 de Março deste anos em Sanaa, a capital do Yemen: cerca de 1 milhão de pessoas contra a guerra que Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Estados Unidos estão a travar no País há dois anos.

New York Times, Washington Post, para não falar dos diários europeus, em silêncio. Grande realce no caso das 8.000 pessoas que desfilaram em Moscovo, lideradas pelo racista e ultra-nacionalista Navalny. Mas do milhão de pessoas no Yemen nada.

28 março 2017

Navalny, o mártir

Alexey Navalny
Fala-se muito nestas horas da violência das autoridades da Rússia contra os pobres manifestantes das ruas.

Em particular, espanto por causa do tratamento reservado ao líder das manifestações, Alexey Navalny, promovido no campo qual mártir da democracia.

Tanto para repor as coisas na justa óptica, vamos lembrar quem é o simpático Navalny.

Formado na universidade norte-americana de Yale, foi escolhido qual membro do Greenberg Fellows Program World, um programa criado em 2002 para o qual são selecionados a cada ano em todo o mundo apenas 16 pessoas com características que podem fazer delas "líderes globais".

Mais armas aos cidadãos = mais crimes

Este vídeo é dedicado a todos os que "armas aos cidadãos contra o Estado assassino!".

ATENÇÃO
O seguinte vídeo contém imagens que podem ferir a sensibilidade do espectador. 
Ficam avisados. Depois não venham com coisas do tipo "Epá, mas fez-me impressão, poderias ter avisado, não é?". Eu avisei. Se forem sensíveis não olhem. Ou olhem com uma mão na frente dos olhos.   


Este vídeo foi filmado pela polícia de Tulsa e mostra o momento em que uma rapariga de 21 anos foi atropelada e morta por um policia. Aconteceu depois dela abrir o fogo contra oficiais ao fim duma perseguição de alta velocidade.

Madison Sueann Dickson morreu em Tulsa, Oklahoma (EUA), depois que o oficial Jonathan Grafton a atingiu com o seu carro patrulha para impedir que disparasse contra a polícia. A Dickson era procurada pelas autoridades por causa de quatro incidentes relacionados com armas de fogo, sempre em Tulsa, durante a semana passada.

A polícia divulgou este vídeo na última Quinta-feira à tarde: é constituído por três vídeos que foram juntados. À primeira vista não fica claro o que a Dickson segura na mão direita até que o vídeo é abrandado e um círculo vermelho mostra a arma.

Quantos destes acidentes ocorreriam se as armas fossem dadas ao "povo"? Quantos polícias seriam mortos também? E os inocentes presos numa troca de tiros? Uma maior difusão de armas não traz benefício nenhum. Pelo contrário.

O caso Brasil

Olhamos para o caso do Brasil.
O País tem entre 16.800.000 e 17.600.000 armas de fogo na posse da população (não são contabilizadas aquelas da polícia ou do exército), das quais cerca de 9 milhões não registradas. Isso perfaz uma média de uma arma por cada 12 habitantes (dados arredondados) e coloca o Brasil na lista dos 40 Países com a mais alta quantidade de armas de fogo.

Segundo os apoiantes das "armas para todos", o País deveria ser um daqueles com menos crimes, porque os cidadãos podem defender-se (lembramos que os criminosos não costumam utilizar armas registradas e as armas ilegais no Brasil são cerca de 9 milhões).

Curiosamente, segundo Wikipedia, o Brasil está também na Top 40 dos Países com a mais alta taxa de homicídios intencionais. O que contradiz a equação "mais armas aos cidadãos = menos crimes". Na realidade, a equação é "mais armas aos cidadãos = mais crimes".

Top 40 dos Países com a mais alta taxa de homicídios intencionais.? Errado: Wikipedia utiliza dados de 2007. Vamos dar uma vista de olhos em análises mais recentes. Como relatado no Mapa da Violência 2016 de Julio Jacobo Waisel, o Brasil ocupa a 10ª posição global por taxa de homicídios por cada 100 mil habitantes.entre 100 Países.
E acrescenta o autor do estudo:
Podemos observar, na Tabela 10.1 [a publicada acima, ndt], que o Brasil, com sua taxa de 20,7 homicídios por arma de fogo por cada 100 mil habitantes, ocupa uma incômoda 10ª posição entre os 100 países analisados. Mais ainda, comparado com países tidos como civilizados, o Brasil apresenta taxa:
  • infinitamente superior à de muitos países que não registraram HAF [Homicídios por Armas de Fogo, ndt] no ano de referência, como Islândia, Japão, República da Coreia, Luxemburgo, Escócia, Inglaterra e Gales, etc.
  • 207 vezes maior que a de países como Polônia, Alemanha, Áustria, Espanha, Dinamarca, dentre outros, que registram 0,1 HAF por 100 mil
  • 103 vezes maior que a de Suécia, Noruega, França, Egito ou Cuba, dentre vários outros países com taxas em torno dos 0,2 HAF por 100 mil habitantes.
Caso haja dúvidas, eis a lista dos Países ordenados segundo homicídios e taxa de armas pro capita (dados de 2017: é melhor ampliar para poder ler):

Em azul os homicídios, em laranja as armas por cada 100 habitantes.

Aqui o Brasil ocupa a 8ª posição, mas o dado mais interessante acho ser outro: quanto maior forem as armas por cada 100 habitantes, tanto maior será o número de homicídios. Há só três significativas excepções: os EUA, que têm o maior número de armas mas ocupa "apenas" a 18ª posição quanto aos homicídios; a Sérvia, que tem o segundo maior número de armas (mas os recentes eventos históricos podem justificar isso) e um número de homicídios relativamente baixo; e a Suíça, a terceira nação do mundo por número de armas mas, na prática, sem homicídios (o que não me admira, conhecendo os Suiços...).

Quanto ao resto, é fácil observar como o gráfico reflecta a equação "mais armas aos cidadãos = mais crimes". E a coisa não pode surpreender: imaginem entrar com um fósforo ligado numa cave vazia: não há perigo. Imaginem agora entrar com o mesmo fósforo numa cave cheia de tanques de gasolina: acham que o perigo de acidentes será maior? Com as armas é o mesmo.

Ainda o estudo de Julio Jacobo Waisel: após a aprovação do Estatuto do Desarmamento, as mortes por armas de fogo atingiram o pique (2012: 42.416 mortos) dum crescimento começado em 1980. Mas a seguir foi anulada a tendência de crescimento anual dos homicídios de 7,2% e foi reduzido o número de assassinatos nos primeiros anos de implantação.

Com isso, segundo a pesquisa, 160.036 vidas foram poupadas no período de 2004 a 2012. Os jovens de 15 a 29 anos foram os principais beneficiários da mudança na legislação, com 113.071 vidas salvas.

Valeria a pena tamanha perda de vidas em nome da alegada possibilidade para defender-se (ver gráficos acima) ou duma ilusória "revolução" contra os poderes fortes (revolução que nunca acontece)? O Brasil fica entre os Países com mais armas pro capita: é por isso um País mais seguro daqueles onde há menos armas? É um País onde há mais liberdades civis, onde o poder está decididamente nas mãos dos cidadãos? Não parece.

O caso EUA

Ainda mais impressionante é o caso dos Estados Unidos. Mesmas perguntas: mais segurança, mais
direitos, mais poder aos cidadãos? Também aqui: não parece.

Então surge a pergunta: além de favorecer os produtores de armas (que agradecem), quais outras vantagens traz o facto de ter cidadãos armados?

Uma boa resposta surge da História, mais uma vez dos Estados Unidos. No século XIX, a maioria dos cidadãos do Velho Oeste estavam armados: por questões de defesa pessoal, para poder assassinar melhor os nativos, etc. Uma situação ideal para quem propõe mais armas para o povo.

Todavia, as grandes forças capitalistas sediadas sobretudo na Costa Leste conseguiram introduzir mudanças políticas, económicas e sociais que tornaram os EUA o que são hoje: um País onde ainda há um enorme número de armas na posse dos cidadãos mas onde o povo mal sabe o que se passa nos corredores do poder.

Hoje os jovens americanos são enviados para guerras em Países distantes a morrer por causas que não lhes pertencem, e nem é esta a primeira vez (houve o Vietname, a Coreia, etc.). Os media são controlados por um punhado de corporações que selecionam cuidadosamente o tipo de informação difundida. As ruas das metrópoles estão cheias de mortais substâncias estupefacientes cujas plantações são defendidas pelo governo em Países estrangeiros (Colômbia, Afeganistão, etc.). É possível organizar atentados, até espantosos (JFK, 9/11), sem que nunca sejam individuados os verdadeiros mandantes ou esclarecidas as derradeiras motivações. E tudo gravita em volta não do bem estar do indivíduo ou das comunidades mas apenas do dinheiro.

Mas não deveria ser assim, pois os norte-americanos têm armas, e muitas: são os cidadãos com mais armas no planeta. Mas nunca houve uma revolta popular nos EUA, nunca os cidadãos pegaram nas armas contra as más decisões do poder político ou económico. Até a única guerra civil do País (a Guerra de Secessão) foi "encomendada". Os norte-americanos até engoliram a pior crise económica (a Grande Depressão) sem levantar um só dedo, apesar de terem sido claras já na altura as reais causas do desastre (bancos). E o mesmo repetiu-se na mais recente crise de 2007.

A chave não são as armas: o que conta é controlar o cérebro de quem as empunha. É possível estar entre os cidadãos mais bem armados do planeta e, mesmo assim, ser conduzidos tal como uma criança. Não é uma teoria, são dados e factos.

As armas apenas dão uma ilusória sensação de potência se não forem acompanhadas pela maior arma de todas: o conhecimento.


Ipse dixit.

Relacionados:
Das armas
EUA: 24 mortos na escola. Azar.
Dicas: como proteger uma criança na escola

Fontes: Small Arms Survey 2007 (idioma inglês com Pdf descarregáveis em Português), Gun Policy, United Nations Office on Drugs and Crimes - Intentional homicide count and rate per 100.000 population by country/territory (2000-2012) (atenção: este estúpido ficheiro descarrega logo!), Julio Jacobo Waisel - Mapa da violência 2016 (ficheiro Pdf, português).

27 março 2017

O moderno comércio de carne humana


No gráfico abaixo é possível observar a rota do navio Aquarius no passado dia 21 de Março, tendo este partido das costas da Líbia e tendo mais tarde chegado ao porto de Catania (Sicilia, Italia) após uma paragem na ilha de Malta:

Mais em detalhe, eis o percurso com dias e horários:


Naqueles dois dias, o navio Aquarius recolheu 946 pessoas de Bangladesh, Nigéria, Costa do Marfin, Guiné e de outros Países, todos indivíduos rigorosamente sem vistos para poder entrar na Europa, e desembarcou-as na Sicilia, onde entraram num campo para refugiados.

O navio Aquarius pertence à SOS Mediterranee, uma ONG alemã com uma vontade irresistível de deportar pessoas dum continente para outro. É um daqueles navios que depois aparecem na televisão com a legenda "Salvos no meio do Mediterrâneo". Não é no meio do mar que estes imigrantes clandestinos são recolhidos, mas a poucos quilómetros das costas líbias e comprova-lo é simples.

Com a ajuda de Marine Traffic, site especializado no traçamento de navios com relativas rotas, eis as posições de outros navios negreiros que pertencem a OGNs (posições de hoje, 25.03.2017 às 13 horas):

 



Todos os navios se encontram numa área bem definida, poucos quilómetros ao largo das costas da Líbia: tão próximas que é possível vê-las a partir das praias. No caso da Sea Wathch 2, os clandestinos nem a fadiga de molhar-se têm que fazer, dado que o navio já se encontra no porto.

E estes são apenas alguns dos navios interessados (no total são cerca de 15). Portanto, estamos perante um enorme serviço de deportação, milhares de clandestinos que diariamente são recolhidos na África e transportados nos centros de acolhimento europeus (nomeadamente italianos).

Mas quem são estas ONGs? Em nome de quem operam?

O navio Aquarius pertence à ONG SOS Mediterranee (ONG alemã), a qual opera em colaboração com a Cospe, associação "humanitária" (uma ONLUS) italiana. O site de SOS Mediterranee é bem pouca coisa e nem especifica donde provenham os seus fundos. Eis, pelo contrário, a proveniência dos fundos da Cospe para o ano de 2015 (o último disponível):

Portanto, 88% de dinheiro público que financia esta ONG (mais 15% de privados: o total perfaz 103% nesta estranha matemática humanitária...). E, em grande medida (52%), é a União Europeia que paga o tráfego de carne humana, aquela mesma União Europeia que depois fala de "emergência imigrantes". Obviamente não falta a ONU e outras organizações internacionais.

Outras organizações empenhadas no negócio são: MOAS, Jugend Rettet, Stichting Bootvluchting, Médicos sem Fronteiras, Save the Children, Proactiva Open Arms, Sea-Watch.org, Sea-Eye, Life Boat.

Além de Médicos Sem Fronteiras (um pequeno império financiado também pelos governos de muitos Países ocidentais - EUA in primis-, ONU, etc.;) e Save The Children (fundos de Ikea, Johnson & Johnson, Procter&Gamble mais governos - 57% -  e corporações - 13%), não é claro quem são os financiadores das restantes organizações e visitar as respectivas páginas internet não adianta pois os orçamentos ou não são publicados ou reúnem as doações sob um vago "privados" ou "outros".

O procurador de Catania, Carmelo Zuccaro, abriu recentemente um processo de investigação:
Queremos saber sobre a evolução do fenómeno e a razão pela qual há a proliferação desses navios e como podem lidar com custos tão elevados sem ter um retorno em termos de lucro económico.
O que emergiu é que o País europeu que dá origem à maior parte dessas ONGs é a Alemanha, que hospeda cinco dessas organizações com um total de seis navios (incluindo dois de Sos Mediterranee). Mas tudo, como salienta Zuccaro, tem custos mensais ou diários elevados. O navio Aquarius de Sos Mediterranee, por exemplo, tem um custo de 11.000 Euros por dia. Os navios do MOAS, de Christopher e Regina Catrambone (ONG com sede em Malta), são o Phoenix com bandeira do Belize e o Topaz com bandeira das ilhas Marshall: custam 400.000 Euros mensais.

Continua Zuccaro:
Cria suspeitas também o dado dos Países que concedem as bandeiras. Devemos fazer a pergunta de onde está o dinheiro para suportar tais custos elevados, quais são as fontes de financiamento. Será a tarefa da próxima fase da investigação. Vamos continuar a verificação das ONGs que trazem os migrantes para o nosso distrito.
Seis milhões de deportados

Taco Dankers é um activista da Gefira; esta também é uma ONG mas deu-se um objectivo diferente: controlar o que fazem as outras ONGs, nomeadamente aquelas empenhadas no comércio dos migrantes. Por isso, reconstruiu os movimentos em 12 de Outubro de 2016 do navio Golfo Azzurro, com bandeira panamense mas operado pela ONG holandesa Boat Refugee.

De acordo com os dados, o navio partiu de manhã cedo em direção da Líbia, várias horas antes de ser lançado um SOS por parte dos barcos dos migrantes. Só perto das 19 horas o centro de coordenação marítima de Roma sinalizou ao Golfo Azzurro e a outros três navios "humanitários" que havia um SOS dum barco carregado com migrantes. Perto das 21 horas começou a operação de resgate de 113 pessoas, com 17 desaparecidos. 12 horas no meio do mar à espera dum SOS?
Fonte: Gefira
Há outro facto estranho: pouco antes das 21 horas, um rebocador italiano (o Mergez) partiu de Mellitah, na Líbia, e dirigiu-se para o ponto a 8.5 milhas náuticas ao largo da costa da Líbia onde logo teria começado o resgate. Mas chegado a uma distância de 6 milhas da costa inverteu o caminho e voltou para Mellitah: impossível que não tenha visto o barco em perigo. Assim Gefira avança uma hipótese: o barco italiano atirou para o mar alguma "carga" humana e o Golfo Azzurro sabia que isso iria acontecer?

Mais factos: no dia seguinte, os diários deram a notícia do resgate "no Estreito da Sicília", o que sugere um ponto bem mais a Norte do que aconteceu (ainda em águas territoriais líbias). O Golfo Azzurro também poderia ter transportado os imigrantes para o porto mais próximo, Zarzis na Tunísia, 65 milhas a Oeste: claro, não teria sido um desembarque agradável para aqueles que pagaram milhares de Euros para chegar em território europeu, mas a Golfo Azzurro deveria ser um navio de socorro, não um ferryboat.

Gefira continua as análises e os resultados mostram como o comércio de carne humana tenha crescido 57% nos primeiros meses de 2017 quando comparado com o homólogo período do ano anterior.

Dimitris Avramopouloem
Mas tudo isso não tem que surpreender: como revelou o comissário europeu Dimitris Avramopouloem em Genebra no princípio deste mês (07 de Março de 2017), o objectivo é criar pontos de embarque nas praias africanas para receber 6 milhões de pessoas nos próximos anos: isso para compensar o encolhimento da população europeia.

E um recente documento publicado pelo diário alemão Die Welt revelou uma cláusula do acordo estipulado entre a Chancelera Alemã Angela Merkel, o Primeiro Ministro holandês Mark Rutte e o Presidente turco Erdoğan acerca dos refugiados sírios: a transferência anual de 150.000 - 300.000 destes refugiados para a Europa.

Seis milhões de refugiados não seriam um problema para o Velho Continente: nem chegariam a 10% da população total. O que é preciso realçar são outros aspectos.

Estamos perante duma ampla operação de deportação: diariamente, milhares de desgraçados arriscam a vida para alcançar as costas europeias, após ter pago milhares de Euros para uma autêntica máfia dos transportes. E muitos morrem durante a viagem. Não é este um crime contra a humanidade?

Os números

Portanto, há um plano, financiado pela União Europeia, que tenta proporcionar mão de obra barata para as grandes empresas do mercado continental. E este plano não se preocupa com os custos em termos de vidas humanas.

Segundo os dados fornecidos pela ONU, desde 2014 foram mais de 10.000 os migrantes mortos afogados na tentativa de atravessar o Mediterrâneo. Como afirmou em Junho do ano passado o porta-voz das Nações Unidas, Adrian Edwards, de acordo com o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR), em 2014 as vítimas tinham sido 3.500, em 2015 subiram para 3.771 e nos primeiros cinco meses de 2016 já eram 2.814.

Elevado o número dos menores envolvidos nestas viagens arriscadas: no total, como indicado pela Organização Internacional de Genebra para as Migrações (OIM), desde o começo de 2016 desembarcaram (só em Itália) 7.600 menores, mais 3.000 do que em 2015. Destes, mais de 7.000 chegaram sem família. Crianças e rapazes principalmente de Egipto, Gâmbia, Costa do Marfim e Guiné.

A frota

Para concluir, eis a lista dos navios utilizados pelas ONGs e permanentemente ao largo das costas líbias:
  • Phoenix: é um dos dois navios da MOAS. Registado no Belize (América do Sul), opera regularmente por conta da ONG maltesa.
  • Topaz Responder: embarcação de resposta de emergência de 51 metros, que hospeda dois botes salva-vidas de resgate de alta velocidade. O navio é administrado em conjunto com a Médicos Sem Fronteiras. Este é um dos três navios que podem transportar centenas de pessoas duma só vez. O navio está registrado nas Ilhas Marshall.
  • Iuventa: está registado sob a bandeira dos Países Baixos e pertence à ONG alemã Jugend Rettet.
  • Golfo Azzurro: é utilizado pela Holandesa Boat Refugee Foundation e opera sob a bandeira de Panamá.
  • Dignity 1: é registrado sob a bandeira do Panamá. Opera por conta de Médicos Sem Fronteiras.
  • Bourbon Argos: um navio de Médicos sem Fronteiras. Registado sob a bandeira do Luxemburgo.
  • Aquarius: um dos muitos navios geridos por Médicos Sem Fronteiras. É registrado sob a bandeira de Gibraltar.
  • Vos Hestia: navio de busca e salvamento da ONG Save The Children.
  • Astral: é da organização Proactiva Open Arms. Segundo o site da Gefira se encontra nas águas líbias mas desaparece com base regular dos sites de rastreamento AIS (Automatic Identification System, sistema de monitorização utilizado em navios).
  • Sea Watch 1: é propriedade duma organização com sede em Berlim, a Sea Watch. Trabalha em estreita colaboração com a Watch The Med, uma rede transnacional que luta contra o regime fronteiriço europeu e exige uma passagem livre e segura para a Europa.
  • Sea Watch 2: como antes.
  • Audur: registado sob a bandeira dos Países Baixos. Não se sabe a quem pertença.
  • Sea Eye: é propriedade da Sea Eye, ONG fundada por Michael Buschheuer (Regensburg, Alemanha) e um grupo de familiares e amigos.
  • Speedy: é um lancha pertencente a Sea Eye. O navio é actualmente confiscado pelo governo líbio.
  • Minden: propriedade da organização alemã LifeBoat. O navio está registado sob a bandeira da Alemanha.

Nota:
O presente artigo foi enviado à atenção dos seguintes diários:

Portugal - Diário de Notícias, Público, Correio da Manhã, Jornal i
Brasil - O Globo, Folha de S. Paulo, Correio do Brasil, Estadão,
Angola - Jornal de Angola, Jornal Angolense, Semanário Angolense
Guiné Bissau - Nô Pintcha
Moçambique - Notícias, O País, Diário de Moçambique, Folha 8
Cabo Verde - Nação, Expresso das Ilhas


Ipse dixit.

Fontes: Maurizio Blondet, Gefira (1 e 2), Il Giornale (1 e 2), Tribune de Genéve, Cospe - Orçamento Social 2015, Aurora, Media Calabria (1 e 2), Die Welt, Rai News.

Juros: a dívida divinal

...e falemos de Dívida.
Com um curto exemplo.

Estamos no Médio Oriente, ano zero. A Virgem Maria tem que enfrentar a longa viagem até o Egipto para escapar do massacre dos inocentes ordenado por Herodes. Uma chatice.

Então, para enfrentar as pequenas despesas, pede emprestada 1 (uma) moeda de ouro de 5 gramas a um amigo mercante e este estabelece uma taxa de interesse particularmente vantajosa: apenas 4% ao ano.

Passam os anos, os séculos, e infelizmente a Mãe de Jesus esquece o empréstimo. Até que...

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