10 maio 2017

História do Trabalho - Premissa

Vamos hoje começar (talvez) uma série de carácter histórico que tem como objectivo central o mundo
do trabalho. Como chegámos até hoje? Como foi gerido o trabalho ao longo dos últimos dois séculos e meio? De quem o mérito das conquistas dos trabalhadores? Mérito dos sindicados? Ou houve algo mais?

Antes de começar é necessária uma premissa: no fundo do artigo não vão encontrar as fontes porque as fontes são... meu pai!

Explico. Meu pai, António, entrou no mundo do trabalho em Italia muito cedo, nos primeiros anos depois da Segunda Guerra Mundial. Uma época muito diferente da nossa, na qual nem era preciso ir à procura do trabalho, eram as empresas que procuravam os trabalhadores. Quando meu pai entrou para o ramo das telecomunicações, tanto para fazer um exemplo, ao mesmo tempo tinha uma oferta da empresa estadual dos comboios e uma da polícia.

Parece ficção científica, não é? Mas era assim que as coisas funcionavam no boom da reconstrução..

Ao longo dos anos, meu pai melhorou o seu nível de estudo até licenciar-se em Sociologia e Psicologia. Como curiosidade, posso acrescentar que frequentou a Universidade de Trento, na altura a mais "agitada" do País (estamos no final dos anos de '60, início dos '70). Daí saíram figuram que teriam marcado os anos conhecidos como Anos de Chumbo (terrorismo, Brigadas Vermelhas, etc.) e políticos: pessoas com as quais o meu pai teve oportunidade de interagir (tinham todos as mesmas idades, participavam nas mesmas reuniões estudantescas ou manifestações).

Voltando para a carreira: desde cedo meu pai decidiu entrar num sindicato ao qual pertenceu durante muitas décadas, estando focado em particular na segurança do trabalho. Isso permitiu-lhe alcançar níveis importante em âmbito sindical, sendo que ao longo de vários anos ficou como um dos três máximos responsáveis nacionais da segurança no trabalho da Telecom italiana.

Ainda me lembro quando, com 7 anos de idade, participava nas reuniões quase nocturnas onde o meu pai explicava as regras de segurança aos trabalhadores: não poucas vezes as reuniões tinham que acabar mais cedo porque o único miúdo da sala tinha entrado em estado de pré-coma.

Tudo isso para dizer o quê? Para dizer que nos últimos anos meu pai decidiu escrever um livro acerca da história da condição dos trabalhadores. O livro é muito técnico, "maciço", mas eu foquei-me no primeiro capítulo, aquele histórico, onde é possível observar, através da história italiana, aqueles desenvolvimentos que no resto do mundo foram implementados mais ou menos na mesma altura.

E não faltam as surpresas. Quem acham que tomou a primeiras medidas para reduzir o número de infortúnios nas empresas? Os trabalhadores? Os sindicados? Longe, muito longe disso...

E quem falou pela primeira vez dum sistema de protecção para cuidar das mulheres grávidas? Ou dum sistema de reformas/pensões? Mais uma vez: trabalhadores? Sindicados? Mais uma vez: longe, bem longe isso... A História contada não é exactamente aquela que aconteceu.

O trabalho em si é bastante amplo, mesmo tratando-se só do primeiro capítulo, pelo que terei que reduzi-lo para poder limitá-lo e torna-lo apresentável num blog. Mas antes preciso saber se uma coisa destas pode ou não interessar os Leitores de Informaçaõ Incorrecta, porque encher as páginas com algo que me dá um trabalho desgraçado e que vós aborrece não é o máximo da vida, não é? Por exemplo, podem achar que o assunto fique demasiado longe dos tratados pelo blog.

Agradeço pelas respostas 😊


Ipse dixit.

13 comentários:

  1. Continue Max, desenvolva este artigo até onde achar ideal, da minha parte tem o meu apoio para que o faça.

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  2. Chaplin10.5.17

    Toca o barco! Tenho muita matéria sobre o assunto, mas bem anterior a segunda guerra. Então cuida para não descaracterizar ou descontextualizar o assunto. Não esqueças que a história é um fio condutor...

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  3. Segue Max. Trabalho importante até porque vai nos reservar surpresas. Afinal sempre nos dizem que foram as lutas dos trabalhadores que propiciaram conquistas coisa que às vezes duvido já que observo que o povo nada faz só dizem que ele faz quando é conveniente dizer.

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  4. Anónimo11.5.17

    Força!


    Nuno

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  5. Força! Por acaso também estudei Sociologia, disciplinas como Organização Social do Trabalho e Análise Sociológica das Organizações entre outras e interesso-me por estes assuntos, pelo que estou curioso...

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  6. Bandido11.5.17

    Venha de lá essa matéria.

    Já fui dirigente sindical, por isso estou curioso.

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  7. Anónimo11.5.17

    Maravilhosa a iniciativa de seu Pai!
    Por favor continue.

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  8. Anónimo11.5.17

    Há algum tempo atrás, li o 'Manifesto contra o trabalho', já aqui falei dele e vou deixar o link do PDF abaixo.
    Vou deixar uma passagem, que pode ficar como um dos aspectos a reflectir:
    'Quem não trabalha, não come! Este princípio cínico continua em vigor, hoje mais do que nunca, precisamente porque está a tornar-se irremediavelmente obsoleto. Trata-se de um absurdo: a sociedade, nunca como agora, que o trabalho se tornou supérfluo, se apresentou tanto como uma sociedade organizada em torno do trabalho. Precisamente no momento em que está a morrer, o trabalho revela-se uma potência totalitária que não tolera nenhum outro deus junto de si.'

    abraço
    Krowler

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  9. Anónimo11.5.17

    Manifesto contra o trabalho:
    http://www.krisis.org/1999/manifesto-contra-o-trabalho/

    Krowler

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  10. Chaplin12.5.17

    A narrativa mitológica, ou digamos semi-mitológica, qdo. da necessidade de fundar nações originadas por assimilações equacionadas entre elites locais, caso da Grande Alemanha no séc. 19, resultante de dezenas de estados c/várias configurações passou a tratar, por seus ideólogos, o fator trabalho, não como uma função (o que era até então) mas como valor essencial como forma/meio de alcançar uma unidade patriótica.

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  11. Anónimo14.5.17

    Vá em frente Max.

    Expedito.

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  12. Ricardo23.5.17

    Sim, por favor, de extrema importância...

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