02 fevereiro 2018

Amazon: o trabalho e comando remoto

Uma pulseira que monitoriza a posição das mãos do trabalhador em qualquer altura e vibra se não
bater certo. Não é giro? É. O sonho de qualquer empregado, que agora é realidade.

Amazon acaba de patentear o dispositivo: uma pulseira que, nas declarações, é projectada para tornar mais rápida a procura dos produtos armazenados: quando um pedido for colocado na Amazon, os detalhes são transmitidos no mini computador de pulso do empregado, que terá que individuar os bens, colocá-los numa caixa e ir para a próxima tarefa.

Afirmam os engenheiros que desenvolveram a tecnologia:
Os actuais sistemas para rastrear onde é que os produtos são armazenados podem exigir que os trabalhadores façam coisas que desperdiçam o seu tempo, então são interessantes todas as novas maneiras de manter o registro acerca do posicionamento dos produtos.
Chama-se "optimização" e é perfeitamente lógica. A patente, arquivada em 2016, foi oficialmente reconhecida esta semana mas, infelizmente, ainda não foi adoptada pelos escravos da empresa. Vamos observar o funcionamento:

Este diagrama (original da Amazon, via GeekWire) ilustra como os sensores, através da pulseira que envia e recebe sinais rádio, podem rastrear a posição do trabalhador no armazém em relação à estante onde se encontra o produto encomendado. Obviamente o ambiente está saturado por ondas rádio que, como sabemos, só fazem bem à saúde e mantêm os cabelos macios.

No diagrama a seguir, eis como a pulseira pode rastrear a posição das mãos do trabalhador e compara-la com o compartimento onde se encontra o produto:


A Amazon dedica bastantes recursos à modernização dos seus locais. Nas últimas semanas, abriu a loja Amazon Go em Seattle (EUA), uma loja sem caixas. Amazon Go está equipada com centenas de câmaras de infravermelhos e sensores eletrónicos, que vigiam os movimentos dos clientes e detectam quais os produtos que estes selecionam. À medida que o cliente vai recolhendo produtos das prateleiras, estes vão sendo adicionados à conta (Amazon Prime ou cartão de crédito). Quando um produto é devolvido à prateleira, o sistema reconhece e elimina-o da conta.

Por incrível que pareça, a Amazon está no centro de controvérsia nos Estados Unidos e na Europa por causa das condições de trabalho: uma cabala? A empresa é acusada pelo ritmo muito intenso estabelecido pelos algoritmos e pelos objectivos muito rígidos impostos aos trabalhadores, que  arriscam multas se não mantiverem a produtividade esperada. Por exemplo, é pedido que cada trabalhador de armazém registre 300 produtos por hora com a sua pistola-laser, ou seja, 5 por minuto. Um dependente do armazém em Castel San Giovanni (Piacenza, Italia) percorre cerca de 20 quilómetros por dia para procurar as encomendas.

Em defesa da empresa pode ser dito que: ................ (encher o espaço segundo os gostos, tanto estará errado na mesma).

Amazon vale hoje 150 bilhões de Dólares, a empresa mais rica do mundo. Em apenas um ano, o valor da marca aumentou 42%, passando da terceira posição em 2017 e superando Google e Apple. Eis a lista completa:
  1. Amazon
  2. Google
  3. Apple
  4. Samsung
  5. Facebook
  6. At&T
  7. Microsoft
  8. Verizon
  9. Walmart
  10. Icbc
(Psssst! Das primeiras dez empresas do mundo, oito são high-tech e outra trabalha abundantemente com a tecnologia. Tomem nota)

De acordo com os especialistas, Amazon fortaleceu a sua posição graças à enorme extensão do negócio do grupo: a aquisição da Whole Foods (13.7 bilhões de Dólares) também projectou a multinacional para além do espaço digital. E em 2018 a intenção é de adquirir uma instituição bancária.

Em queda, pelo contrário, Apple e Google.

A Apple manteve-se em segundo lugar no ranking com 146,3 bilhões de Dólares, mas a marca não não conseguiu diversificar os produtos e alto custo do iPhoneX desencoraja muitos clientes. Google caiu para o terceiro lugar (primeiro no ano passado) com 120.9 bilhões: os investimentos da marca ainda não possuem audácia demonstradas pelas novas iniciativas da Amazon.

Voltando à questão dos trabalhadores controlados remotamente: é um falso problema e nenhum dependente deveria preocupar-se com isso. Em breve, Amazon irá substituí-los todos com armazéns completamente automatizados.


Ipse dixit.

Fontes: Geekwire, Dinheiro Vivo, Corriere della Sera

3 comentários:

  1. Anónimo2.2.18

    " Em breve, Amazon irá substituí-los todos com armazéns completamente automatizados."

    Talvez estejas errado.
    Ha uns tempos atras li um artigo acerca da robotização e patentes de robots e o ponto nesse artigo e que as empresas nao queriam ficar refens das empresas de robots (isto numa visao de longo prazo, talvez daqui a 100 ou mesmo 50 anos).
    Na realidade os robts , ou linhas automatizadas sao caras na aquisição, sao caras na manutenção e nao se podem atirar para o lixo sem custos. Que melhor podera haver que um ser humano (que ainda nao esta patenteado), que pode ser descartado a qualquer momentos sem custos, que nao precisa de manutencao (paga pela empresa), que nao custa nada em aquisição pois nao o compram, que pode ser puxado ate ao limite sem preocupacao de poder avariar (afinal e facil e barato trocar por outro). Assim inventaram este sistema que me parece o mais preverso de todos, barato tecnologicamente e gratuito biologicamente uma especie de cyborg.
    Agora quando aqui se fala de elites e dominados espero que nenhum destes nossos ilustres comentadores compre nada na amazon. Eu nao compro a essa nem a nenhuma empresa que eu saiba que tem esse tipo de practicas.

    EXP001

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  2. Anónimo3.2.18

    https://www.zerohedge.com/news/2018-01-30/amazon-berkshire-and-jp-morgan-form-healthcare-company

    Nuno

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  3. E mesmo a unica arma que temos ñ comprar completamente de acordo estas empresas só se mantêm porque os outros compram

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